O Serviço da Misericórdia nasceu da experiência pessoal de um Sacerdote, – Capelão Militar do Exército, Pe. Lindenberg Freitas Muniz, em meados de 1990 -, movido por compaixão frente à realidade dos moradores de rua, que diariamente via do local de seu trabalho, Palácio Duque de Caxias (PDC) Rio de Janeiro – RJ, saiu ao encontro dos irmãos: homens, mulheres, crianças e jovens, munido apenas com alguns sanduíches e uma bebida quente; com ouvidos abertos, oferecendo-lhes um olhar bondoso e uma palavra amiga; numa experiência profunda e evangélica de “ser Jesus para o outro e, acolher Jesus no outro”. Sem nenhuma pretensão em oferecer assistência social; apenas uma acolhida humana e fraterna. Isto tornou-se uma conduta constante para este Sacerdote e, aos poucos, outras pessoas juntaram-se a ele.
A proposta que este Capelão oferecia aos membros participantes: “Busquem fazer a experiência do acolhimento do Cristo Jesus, que está no outro; e seja, você mesmo, Jesus para o outro”. Fazer memória do Mestre Jesus, à exemplo do Lava-pés: amor que serve sem fazer distinção de pessoas. O grupo era eclético, não só católicos; porém, respeitando-se mutuamente nas diferenças de religiosidade, mantinha-se a unidade na espiritualidade. Eram variados níveis sócias: pessoas simples, famílias civis, médicos voluntários, jovens universitários, militares; todos pessoas de boa-vontade! Reuniam-se semanalmente as quintas-feiras, por volta das 20:00h, após o expediente do trabalho, sempre no mesmo local, na Praça Duque de Caxias, em frente ao Palácio. Iniciavam rezando a Invocação ao Espírito Santo; em seguida, Pe. Lindenberg orientava o grupo sobre a inspiração e os motivava a ação evangélica.
Depois faziam a distribuição dos gêneros (sanduíches de pão com mortadela, ovos cozidos, etc; sucos e chocolate quente ou frio, dependendo do tempo) em carrinhos de feira; e, para facilitar o encontro, iam a pé percorrendo o caminho em oração, que só cessava no momento da acolhida aos irmãos. Alguns dos percursos realizado: Central do Brasil, Av. Rio Branco, Presidente Vargas, Uruguaiana, Candelária. Os próprios membros participantes atraiam outros a se integrarem ao Serviço da Misericórdia, tocados que ficavam pela experiência. Aqui, nos deparamos com uma quebra de paradigma. Interagir com moradores de rua, sem medo de ser assaltado, agredido ou algo do gênero… Antes, deparavam-se também com pessoas sensíveis, dotadas de sensibilidade e grandeza de coração; cada um(a) com sua história de vida, que em algum dado momento os levou a entrar neste “mundo” da rua, como um “morador”. E, ao mesmo tempo, em que se encontram em desventura total, no campo material, profissional, e até moral; ainda assim, davam testemunho de generosidade, partilha e acolhimento. Cada experiência é única no “encontro com Jesus no outro. ” Sem falar que, por conta dos alimentos que são arrecadados para a distribuição, quantas pessoas são envolvidas nesta obra de misericórdia: “Dar de comer a quem tem fome”.
No término do Serviço da Misericórdia acontece a partilha espiritual, os membros participantes são convidados a colocar sua experiência, o que percebeu, sentiu e compreendeu nesta breve caminhada humana e espiritual. Em seguida, agradecem a Deus com cântico a Virgem Maria “Santa, mais que tudo Santa”, a oração do Pai Nosso e o “Quem me dera” (Jó 19, 23-27a).
A imitação do Senhor requer de nós três passos: conhecê-Lo, amá-Lo e segui-Lo. Os que desfrutam da intimidade com Ele percebem que Sua vocação consiste em revelar o rosto misericordioso de Deus-Pai, demonstrado em sua dedicação aos sofredores e pecadores. Constrangidos por Seu exemplo, os membros dessa Obra dedicarão a eles sua atenção, seu tempo e seus bens para aliviar seus sofrimentos. A Família Facilitadora apresentará os trabalhos já existentes ou uma área que se encontra sem assistência para que os membros do GC escolham onde desejam exercitar a misericórdia divina.
(Fonte: Dtz 14 – Diretório do Ramo das Famílias da Obra FR)